Histórias

#33DiasSemMachismo

2 de junho de 2016 / Belo Horizonte

A Uber aderiu à iniciativa #33DiasSemMachismo, que pretende ajudar a mudar a cultura do machismo no país. Durante os próximos 33 dias, enviaremos uma dica por dia aos milhares de parceiros da Uber no Brasil.

Acreditamos que o melhor modo para atingir essa mudança é por meio da conscientização sobre temas relacionados às questões de gênero que vivemos em nosso dia a dia. As dicas serão enviadas diretamente para aplicativo dos parceiros, que poderão ler uma por dia, e terão acesso a todas no final. Vamos incluir aqui também as 33 dicas, dia a dia. Clique aqui pra saber mais sobre a campanha.

UberON!


#33DiasSemMachismo

Dia 1 – Não interrompa a fala de uma mulher, escute o que ela tem a dizer: Você pode começar a criar um mundo sem machismo hoje!

Dia 2 – Se for acusad@ de machismo, não retruque, reflita: Ouvir que você agiu de forma machista pode ser uma ótima oportunidade para refletir e entender melhor o que isso significa. Abrace essa chance! Hoje é o segundo dia de uma grande mudança.

Dia 3 – Ligue para uma amiga e pergunte “você já sofreu assédio na rua?”. Escute-a com atenção: A violência contra a mulher acontece bem perto de você. Se você nunca sofreu assédio, converse com uma mulher próxima de você sobre como ela se sentiu quando passou por isso.

Dia 4 -Se perceber que está julgando uma mulher pela roupa que ela usa, pergunte a si mesmo: “e se fosse eu?”: Você se considera livre para escolher a roupa que vai usar hoje? Muitas mulheres não se sentem assim. A partir de hoje, preste atenção em seus pensamentos quando você “reparar” na forma como uma mulher esta vestida, coloque-se no lugar dela.

Dia 5 – Compartilhe as tarefas domésticas e o cuidado dos filhos: Em muitas famílias, as meninas são ensinadas a cuidar dos afazeres do lar desde pequenas. Quando adultas, mulheres podem trabalhar até 13h por dia em média para conciliar casa, filhos e emprego, conforme pesquisa da Unicamp. A construção de um mundo com igualdade de gênero começa dentro de casa.

Dia 6 – A partir de hoje abandone as expressões “comportese-como uma mocinha” ou “seja homem”: Chorar é coisa de menina? Todo menino deve gostar de futebol? Desde criança, os padrões de comportamento limitam o desenvolvimento da nossa identidade e contribuem para a manutenção de uma sociedade machista. Comprometa-se a não perpetuar essa cultura.

Dia 7 – Compare e reflita: no seu trabalho, escola ou familia, quantos homens e quantas mulheres ocupam cargos de chefia?: A desigualdade de gênero está em todos os lugares: apenas 5% dos cargos de chefia e CEO de empresas no mundo são ocupados por mulheres, segundo pesquisa da OIT. No Brasil, as mulheres estudam mais e ainda recebem salários menores que os homens para desempenharem as mesmas funções.

Dia 8 – Anote e compartilhe ao longo do dia quantas vezes você viu uma propaganda que objetificou uma mulher: Muitas propagandas utilizam a imagem da mulher de forma pejorativa, objetificada e hiper sexualizada. A partir de hoje, reflita sobre como a mulher aparece na publicidade, e como isso reforça estereótipos de gênero e influencia comportamentos e relacionamentos abusivos.

Dia 9 – Pergunte a uma mulher da sua convivência como ela se sente usando transporte público e caminhando sozinha pela rua durante a noite: O espaço público não será efetivamente público enquanto as mulheres não se sentirem tão seguras quanto os homens nas ruas. No Brasil, 86% das mulheres já sofreram assédio em espaços públicos, seja com assobios ou xingamentos e até mesmo sendo tocadas ou perseguidas. A sensação de insegurança limita as escolhas das mulheres, reforça a ideia de que o espaço feminino é restrito ao lar e perpetua a desigualdade de gênero.

Dia 10 – Pesquise sobre mulheres que foram protagonistas na busca e conquista de seus direitos. Compartilhe sua história favorita: Ao longo da história muitas mulheres foram responsáveis por conquistas de direitos fundamentais, como o voto feminino e a admissão em escolas e universidades. No Brasil e no mundo, grandes mulheres trabalham pela equidade de direitos. Pesquise e compartilhe a história de uma mulher inspiradora usando a hashtag ‪#‎33DiasSemMachismo‬.

Dia 11 – Você já julgou uma mulher dizendo: “engravidou porque quis”? A partir de hoje divida a responsabilidade da prevenção entre o casal: A culpa da gravidez indesejada sempre recai sobre a mulher. Numa sociedade machista, o desejo sexual feminino é reprimido, sendo papel da mulher ¨se preservar¨. Pesquisa do Ministério da Saúde de 2013 revela que 45% dos entrevistados admitem fazer sexo sem camisinha. Comprometa-se a dividir essa responsabilidade com entre o casal.

Dia 12 – Faça uma lista dos livros escritos por mulheres que você já leu. Peça sugestões para aumentar seu repertório e compartilhe-as: Os personagens de livros muitas vezes se tornam nossos conselheiros e amigos. Ler um livro escrito por uma mulher é ver o mundo com outros olhos, ter contato com questões que talvez você nunca tenha vivenciado. Pense nos seus livros preferidos e como eles influenciaram a construção da sua personalidade. Tem poucas mulheres na lista? Corra pra estante!

Dia 13 – Nunca questione: NÃO é NÃO! Denuncie se presenciar assédio sexual, onde quer que seja: Precisamos falar sobre a cultura do estupro! Seja no Rio, no Piauí ou em Stanford, independentemente da roupa ou do consumo de qualquer susbtância: sexo só pode acontecer se a mulher estiver em condições de decidir se quer ou não. E sua escolha SEMPRE deve ser respeitada. A vítima nunca deve ser considerada culpada. A partir de hoje DENUNCIE qualquer violência contra uma mulher. ‪

Dia 14 – Converse com uma ou mais mulheres sobre as profissões que elas gostariam de seguir, e, se essa não for a profissão que elas exercem, pergunte o motivo: Estudo da OCDE de 2015 mostra que na faixa dos 15 anos o desempenho escolar de meninas em matemática é superior ao de meninos. Entretanto, os pais incentivam mais os meninos a seguirem as carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Desde cedo desestimuladas elas procuram outras carreiras, as que se arriscam sofrem preconceito e assédios de todo o tipo. Como podemos incentivar a presença das mulheres nas profissões que sonharam?

Dia 15 – Ressignifique: um beijo entre dois homens não é uma ofensa. Um beijo entre duas mulheres não é um convite: Já parou pra pensar por que muitas pessoas consideram ofensivo ver dois homens se beijando, enquanto um casal de mulheres costuma ser motivo de atração? Antes de mais nada, a vida amorosa de outras pessoas não diz respeito a você. Em segundo lugar, reduzir o relacionamento entre duas mulheres a uma tentativa de sedução de um homem é uma atitude machista, que pode levar a comportamentos desrespeitosos e violentos. A partir de hoje, quando passar por um casal homossexual, apenas continue andando e lembre-se: ninguém está tentando te passar nenhum recado.

Dia 16 – Quantas vezes você já presenciou violência doméstica, na sua casa, no seu prédio ou na sua vizinhança? A partir de hoje, comprometa-se a denunciar essa prática: A violência doméstica mata cinco mulheres a cada hora no mundo. Existe uma forte pressão da sociedade para silenciar, naturalizar e banalizar essa violência, o que leva muitas mulheres a se perguntarem: “Será que o que aconteceu comigo foi uma violência? Quem vai acreditar em mim?”. Sempre que presenciar ou ouvir um relato de violência doméstica, ofereça todo o suporte necessário a vítima, seja solidária/o.

Dia 17 – Ao elogiar uma menina, fale sobre suas habilidades e não apenas sobre sua aparência: Você já percebeu que quando elogia uma menina muitas vezes fala sobre seus atributos físicos, enquanto os meninos são valorizados pelo seu raciocínio ou habilidades? Além de desigual, essa prática reforça padrões de beleza. Abandonar esses padrões é necessário para aceitarmos a diversidade e riqueza dos nossos corpos e da história que eles carregam. A partir de hoje, abandone os elogios que reforçam padrões artificiais impostos às mulheres e reforce suas qualidades, talentos e habilidades.

Dia 18 – Toda vez que ouvir alguém dizer “Só podia ser mulher!”, pergunte para uma amiga como ela se sente ao ouvir essa frase: Qual a mulher que nunca ouviu ao volante a expressão machista ¨tinha que ser mulher!¨ por ter cometido ou não um deslize no trânsito? De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Detran, mulher na direção significa prudência e responsabilidade, o que resulta em poucas mortes no trânsito. A partir de hoje comprometa-se a não perpetuar esse preconceito, seja no trânsito ou em outros contextos. ‪

Dia 19 – Existe algo que você gostaria de fazer, mas nunca fez por considerar “coisa de mulher” ou “coisa de homem”? É hora de experimentar e compartilhar a sensação: Permita-se experimentar algo que você nunca fez, seja por medo de ouvir críticas ou porque nunca considerou a possibilidade. Além de poder te levar a incríveis descobertas, se colocar no lugar de outra pessoa é um passo importante para construir relacionamentos com respeito e compreensão. Compartilhe a experiência com a hashtag.

Dia 20 – Relembre ditados populares ou expressões comuns que se referem à mulher de forma pejorativa. Comprometa-se a nunca mais repeti-los: Todos os dias, as mulheres são expostas a ideias e palavras que são naturalizadas e encaradas como “brincadeira”, mas cuja intenção é inferiorizá-las. Muitas vezes, nós mesmos reproduzimos esses ditados e expressões sem pensar. A partir de hoje, tire o machismo do seu vocabulário.

Dia 21 – Experimente adotar atitudes colaborativas ao invés de competitivas entre mulheres: Desde jovens, aprendemos a competir. Entre mulheres, a competição pode acontecer na busca por se destacar dentro de um padrão de beleza (“a mais bonita”, “a mais magra”), ou pela ideia de que vivemos em função da conquista de homens, e que deveríamos brigar pelo mesmo cara. Mudar esse pensamento pode fortalecer a todas nós.

Dia 22 – Quando você presenciar olhares e abordagens invasivas a uma mulher, repreenda esses comportamentos: Desde pequenos, os homens são estimulados a olhar o corpo da mulher de forma insistente e invasiva, fazer comentários e até tocar o corpo de mulheres desconhecidas. Quando uma mulher anda na rua ou até mesmo quando faz uso de um serviço público ou privado, sabe que pode ser vítima de assédio. E, muitas vezes, tem medo de reagir. Se você presenciar uma situação assim, ajude a vítima e repreenda o comportamento do homem.

Dia 23 – Procure saber qual a política de enfrentamento ao assédio sexual e moral na empresa em que você trabalha ou onde você estuda: No mundo do trabalho, assédio sexual e moral são bem mais comuns do que imaginamos, muitas vezes acompanhados de ameaça de demissão. As mulheres são as maiores vítimas (52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual, segundo a OIT), mas pode acontecer com homens também. Toda empresa deve ter uma política clara de suporte à vítima e punição ao agressor. Você sabe qual a política da sua?

Dia 24 – Nem “louca”, nem “histérica”, muito menos “irracional”: não use mais esses termos para desqualificar a fala de uma mulher: Uma mulher não é louca, nem histérica só por lhe dizerem isso repetidamente. Alegações desse tipo são comuns, e usadas na maioria das vezes, por pessoas próximas, para calar e desqualificar a mulher. A partir de hoje tome consciência e elimine esse comportamento.

Dia 25 – Respeitar as mulheres não é ser “pau-mandado”. Tenha orgulho e valorize essa postura: Você não é menos-homem por ser gentil, proativo e parceiro. Acabar com o machismo é também parar de achar que homens e mulheres estão no mundo para competir entre si, ou que um deve mandar no outro. Se você alguma vez já criticou seus amigos por eles serem gentis, proativos e abordarem a relação deles com uma mulher como uma parceria, em vez de uma competição, não faça isso novamente. Mude sua atitude!

Dia 26 – Somos 85% de mulheres nesta campanha – convide um homem para se juntar ao desafio: A campanha “33 Dias Sem Machismo” foi criada para que pessoas de todos os gêneros repenssem atitudes e hábitos diários, muitas vezes inconscientes, que alimentam a cultura machista em nossa sociedade. Em 25 dias de campanha somos mais de 72 mil, majoritariamente mulheres. Estamos na reta final e queríamos chegar a mais homens. Convide seu parceiro, pai, irmãos, parentes e amigos para participarem dos desafios.

Dia 27 – Procure saber quais as candidatas a vereadoras e prefeitas em 2016: A presença de mulheres na política é historicamente inferior à de homens. Além de serem minoria entre os candidatos, as mulheres também são menos eleitas: nas últimas eleições municipais, apenas 12% das prefeituras foram ocupadas por mulheres. E, do total de vereadores eleitos, só 13% eram mulheres. Neste ano, procure conhecer as pré- candidatas que estão concorrendo na sua cidade, incentive e apoie-as. Vamos contribuir para mudar esse quadro.

Dia 28 – A “novinha” é uma criança: não hipersexualize ou erotize meninas: Crianças e adolescentes são crianças e adolescentes, ainda que em muitas partes do Brasil e do mundo elas sejam hipersexualizadas e erotizadas em músicas ou propagandas, comentários e outros incentivos de adultos que as estimulam a vestir e agir como adultas, isso jamais pode ser usado como desculpa para a assédio e abuso sexual. Você adulto, com consciência, não consuma, não compactue e não incentive a erotização. Leia mais sobre o assunto: glo.bo/29156Xn

Dia 29 – Pergunte a uma mulher uma situação em que ela se sentiu #DonaDeSi. Compartilhe histórias inspiradoras: O simples fato de nascer mulher pode determinar várias coisas: a cor da parede do quarto, as brincadeiras da infância até o seu provável teto salarial. Mas, a cada dia, mais mulheres têm desafiado essas imposições. Pergunte a uma mulher um episódio em que ela se sentiu ouvida ou saiu por cima de uma situação discriminatória. Compartilhe histórias encorajadoras para fortalecer outras mulheres. Esse é o chamado da campanha ‪#‎DonaDeSi‬, que contribui para ainda mais dias sem machismo.

Dia 30 – Comprometa-se a nunca mais usar expressões machistas na presença de uma criança: Diariamente, milhões de crianças estão em contato com termos e comportamentos machistas e aprendem com os adultos a perpetuar essa cultura. Pais e mães, parentes ou não, se há uma criança por perto, preste ainda mais atenção na sua fala: não use termos machistas para descrever uma mulher, se referir ao comportamento de alguém ou em qualquer outro contexto. Ao invés disso, ensine as crianças a valorizarem e respeitarem todas as pessoas. ‪

Dia 31 – Não use a expressão “mulata tipo exportação” para elogiar a beleza de uma mulher negra: Esse elogio é na verdade uma ofensa racista, pois, reproduz o tratamento dado às mulheres negras quando escravizadas, além de reduzi-las a brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer o histórico escravocrata do Brasil que transforma a mulher negra em “peça” de consumo, além de hipersexualizá-la. Não utilize essa expressão e nem incentive outros a usarem.

Dia 32 – Chame uma mulher de negra. Isso não é uma ofensa: O machismo e o racismo andam de mãos dadas. Muitas pessoas consideram a palavra “negra” ofensiva e por isso se referem às mulheres negras com “morena”, “mulata”, “moreninha”, termos que historicamente são usados para erotizar e hipersexualizar uma mulher. Essa tentativa de atenuar a palavra negra apenas evidencia o quanto a pessoa a considera um xingamento. Não há necessidade de temer o reconhecimento da raça/etnia de mulheres negras. A partir de hoje, inclua essa palavra em seu vocabulário.

Dia 33 – Volte para o desafio 1 e repita até tirar o machismo da sua vida: 33 dias foram só o começo. Para acabar com o machismo precisamos estar em estado de vigília, todos os dias. Tenha consciência: nossas falas e comportamentos são os instrumentos mais poderosos para manutenção de uma sociedade machista e desigual ou para construção de um mundo com equidade. Peça ajuda, converse com outras pessoas sobre o tema, questione pensamentos ou atitudes considerados inofensivos, repita os desafios, pense em novos. Juntos já começamos uma grande mudança. É preciso ir em frente. ‪#‎33DiasSemMachismo‬ ‪#‎TodosOsDiasSemMachismo‬